Para quem tem um equipamento velho em casa, a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), em vigor desde o ano passado, é um bom incentivo para a troca. O novo aparelho pode sair praticamente de graça. Além da economia proporcionada pela diminuição do imposto, que fica entre R$ 50 e R$ 200, um eletrodoméstico mais eficiente contribui para reduzir a conta de energia no fim do mês, além de amortizar o investimento feito na aquisição do novo aparelho em poucos anos. E basta ficar atento ao selo Procel que classifica os produtos por eficiência no consumo de energia, de A a E, para sair ganhando no bolso.
Um ensaio feito na divisão de eficiência energética da Eletrobrás com geladeiras velhas mostra que, ao trocar um equipamento com mais de 14 anos de uso, a conta de luz cai 60%. “Uma geladeira de uma porta, com 350 litros, consome em torno de 27 kWh por mês. Em 1987, esse aparelho era projetado para consumir 44 kWh. Mas depois de anos funcionando, essa geladeira hoje consome uma média mensal de 60 kWh. Para um consumidor de baixa renda, que tem poucos eletrodomésticos em casa, trocar a geladeira velha pode representar uma redução na conta de luz até maior que 60%”, descreve Emerson Salvador, chefe da divisão.
A dona de casa Maria Goreti Oliveira, 39 anos, sabe bem o que é isso. Em dezembro de 2008, a conta de luz estava em torno de R$ 80. Após trocar a geladeira por uma com selo Procel, baixou para uma média mensal de R$ 40. “Isso porque eu ainda comprei outros aparelhos que eu não tinha antes, como o computador”, acrescenta ela. Na época, gastou R$ 1.900 com o novo refrigerador. Em um ano, a economia na conta de luz já pagou 25% do equipamento. Daqui a três anos, essa geladeira sairá de graça para a consumidora.
Agora Maria Goreti tenta passar a lição para a nora, Kamila de Gusmão, que também está trocando o refrigerador. “A geladeira que eu comprei está cerca de R$ 200 mais barata por causa do IPI. Kamila espera fazer uma economia ainda maior que Goreti no consumo de energia. “Lá em casa, a conta de luz vem por R$ 130. E a minha geladeira é ainda mais velha que a dela”, diz.
Selo – Na hora de escolher a geladeira, Kamila faz questão de um modelo que tenha selo Procel A. Por quê? “Porque consome menos energia, não é?”, afirma. Em geral, o que a maioria dos consumidores sabe é que a economia é maior na etiqueta A e menor na faixa E. Mas o que separa um produto B de um C? E um D de um E? Cada faixa representa um acréscimo entre 10% e 15% (ver quadro). Pequenas economias que fazem a diferença na conta de luz no fim do mês. Dependendo do produto, não é apenas o consumo de energia que é considerado. Como é o caso da máquina de lavar roupa, que ainda considera a centrifugação e o consumo de água.
Outra confusão muito comum entre os consumidores é a respeito do selo Procel. Isso porque nem todos os equipamentos etiquetados têm o certificado do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, criado em 1985. “O Inmetro, através do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), classifica os produtos de A, que são os mais eficientes, até E, menos econômicos. Somente os aparelhos na categoria A, dentre os que consomem energia elétrica, é que recebem o selo Procel”, define Emerson Salvador.
O selo ficou mais conhecido com as geladeiras, as primeiras a serem etiquetadas, em 1985. Hoje já existem mais de 20 categorias de produtos, como ar-condicionados, ventiladores, lâmpadas, televisores. Menos fogões. “O Procel é exclusivo para os produtos que consomem energia elétrica”, explica Marcos Borges, coordenador do PBE do Inmetro.
Para os fogões, existe a mesma classificação de A a E. Só que em vez de energia elétrica, avalia o consumo de gás e faz parte de um outro programa, chamado Programa Nacional de Racionalização do Uso dos Derivados de Petroleo e Gás (Conpet). As etiquetas do fogão são as menos conhecidas. O vendedor Everston França, 29 anos, só soube dessa classificação por causa do IPI verde. “Estou procurando um fogão para a minha mãe e vou dar preferência para os que tenha a etiqueta A para ela gastar menos com ogás”, diz ele.
O que é avaliado
A classificação varia de A (o mais econômico) a E (o menos eficiente)
Geladeiras
A classificação é segundo o consumo de energia elétrica (kWh/mês) e a capacidade de congelamento. Os índices de eficiência energética variam de acordo com o tipo do produto (refrigerador, refrigerador com freezer, refrigerador com freezer frost free, congelador vertical, congelador vertical frost free, congelador horizontal).
Consumo de geladeira com 1 porta e capacidade média de 240 litros:
A: 22 kwh/mês
B: 24 kWh/mês
C: 28 kWh/mês
D: 30 kWh/mês
E: 34,5 kWh/mês
No bolso: O consumo cresce entre 10% e 15% a cada mudança de faixa. Considerando uma tarifa média de R$ 0,55/kWh, o gasto cai de R$ 19 (selo E) para R$ 12 (selo A). Por ano, a economia é de R$ 84.
Máquina de lavar roupa
Além da classificação do consumo de energia (relação entre a potência da máquina e o peso da roupa em cada ciclo) – a classificação de A a E considera também a eficiência de centrifugação (quanto consome de água e como é a centrifugação). Varia de 94 (pior) até 60 (melhor).
Consumo:
Consumo eficiência na centrifugação
A: até 0,19 kwh/ciclo 60%
B: até 0,23 kWh/ciclo 68%
C: até 0,27 kWh/ciclo 76%
D: até 0,31 kWh/ciclo 84%
E: até 0,35 kWh/ciclo 94%
No bolso: Quatro lavagens de 30 minutos cada pesam 1,52 kWh na lavadora com etiqueta A (R$ 0,83 na conta). Na E, o consumo é de 2,8 kWh e custo de R$ 1,54. .
Fogões
É avaliada a capacidade dos fornos de gastarem menos gás para manter a temperatura desejada (quanto menor o índice de consumo mais eficiente) e o rendimento das bocas de fogão para transformar o gás em energia térmica (quanto maior o percentual mais eficiente).
Índice de consumo | Rendimento:
A: menor que 51% maior que 62%
B: entre 55% e 51% entre 60% e 62%
C: entre 55% e 59% entre 58% e 60%
D: entre 59% e 63% entre 66% e 58%
E: entre 63% e 67% entre 52% e 56%
No bolso: Um fogão A tem índice de consumo 31% menor que um E. Ou seja, o botijão de gás dura 80 dias (selo A) contra 60 dias (selo E)
Fonte: Diário de Pernambuco
Posts Relacionados:
- Uso de tecnologia ajuda a baixar a conta de luz
- A conta de luz que chega à casa do consumidor residencial não é clara
- Conscientização e IPI mais baixo devem elevar economia do Procel em 15% em 2009
- Fiems entrega mais 8 diagnósticos do Eficiência Energética
- Dedo-duro do consumo








