O fenômeno se repetiu, a copa do mundo de 2010 chamou a atenção pelas suas peculiaridades. Muito se falou da bola, da vuvuzela e das surpresas em muitos jogos. Se passaram quase 1 mês e muitos perderam durante a copa. Agora não me refiro aos jogadores que já ganham muito dinheiro, mas gostaria de chamar a atenção para o fenômeno que acontece claramente no Brasil. A população pára durante a copa, literalmente. E devido a euforia nacional durante os jogos do Brasil, as industrias tem que liberar os funcionários, pois se isso não acontecesse muitos pediriam demissão para ver o Brasil jogar.
A ONS (Operador Nacional do Sistema), que é a empresa responsável por garantir que não faltará energia tem que mudar sua estratégia de despacho das usinas elétricas, térmicas e nucleares, pois a demanda por energia nos instantes antes e durante o jogo sofre uma queda muito rápida, o que leva os operadores do sistema a terem muita cautela para nenhuma proteção atuar e desligar incorretamente a energia. Todos os gráficos apresentados nesta matéria foram retirados dos relatórios da ONS, disponível no site: www.ons.org.br.
Na Figura 1 é possível observar a queda abrupta na demanda minutos antes do jogo Brasil e Coreia do Norte, que aconteceu numa terça, que teoricamente foi um dia de trabalho normal.
Já na Figura 2 que representa a demanda de energia no dia do jogo Brasil e Costa do Marfim, mostra que não houve tanta variação de carga, parte se deve ao fato do jogo ter acontecido no domingo, que não é um dia útil para muitas empresas.
Na Figura 3 que exibe a demanda no dia do jogo Brasil e Portugal mostra que uma grande variação de carga ocorreu. E como o jogo aconteceu numa sexta feira é possível observar que a demanda após o jogo ficou bem abaixo da demanda típica de uma sexta feira. Podemos interpretar que o expediente da semana terminou antes do jogo começar.
Um detalhe interessante é o que acontece durante o intervalo dos jogos, sempre um pico de demanda no intervalo do primeiro para o segundo tempo. Existem várias teorias para explicar esse pico. Alguns dizem que são as pessoas abrindo a geladeira, hoje em dia ligando o microondas, ou seja saindo de frente da televisão e usando equipamentos que gastam energia.
Na Figura 4 que mostra a demanda no dia do jogo das oitavas de final entre Brasil e Chile, que aconteceu numa segunda feira, observa-se que a demanda após o jogo se aproximou bastante da demanda típica do dia.
Como ultima análise é exibido na Figura 5 o gráfico do consumo de energia durante as quartas de final no jogo entre Brasil e Holanda. Nele é possível observar todos os fenômenos descritos anteriormente. Infelizmente o gráfico mais interessante, que seria da final, não foi necessário fazer. Mas mesmo sem a final, podemos observar que as concessionárias de energia assim como o time do Brasil também perderam na copa.
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Show de bola o estudo!!
É uma coisa que sempre quis saber mas nunca tive de onde tirar os dados.
=)
Parabéns pela publicação!!
Um abraço,
Hugo
Interessante como a demanda por energia elétrica pode explicar com satisfação o comportamento da população. Relacionar isso com os jogos da Copa fui muito legal, parabéns, professor Heverton. Agora, pra explicar aqueles picos de demanda no intervalo, só mesmo a cerveja, que deve ser sempre gelada, não?
pobres concessionárias, ficaram sem faturar e enriquecer ainda mais os patrões.
muito bacana! Apesar de já ter ouvido falar, ainda não tinha visto os “padrões” das curvas de demanda nos horários dos jogos. Deu pra perceber que a demanda se aproxima dos seus valores típicos após o término de cada jogo. Será que isso também aconteceria em um dia em que o brasil ganhasse uma final?
Interessante a matéria, infelizmente no Brasil o futebol (alheio) é considerado mais importante que o trabalho, estudo… coisas realmente importantes.
muito bacana, ja tinham me falado sobre isso, mas nao acreditei muito…
Muito bacana a matéria Professor. Chamo a atenção para a figura 1, na qual os gráficos mostram que o consumo do país cai para os mesmos valores do consumo às 05:30 da manhã. O país realmente pára.
Muito bacana a matéria heverton, o padrão que as curvas apresentam principalmente no intervalo do jogo é bastante interessante, pena que o brasil não foi para a final, será que a curva após o jogo seguiria o mesmo padrão?
Muito boa matéria Héverton, Parabéns! Interessante o comportamento humano e o prejuízo das concessionárias. Fica a minha pergunta a você e outros colegas estudiosos do SEP. Como fica a estabilidade de tensão diante de tanta queda de demanda?
Sinceramente não entendi o propósito desse artigo. Primeiro que as concessionárias não perderam, e sim deixaram de ganhar, e como eles já faturam muito, não vai ser uma copa do mundo que ocorre a cada 4 anos que vai fazer com que eles tenham “prejuízo”.
Já no início do seu artigo, não sei se você quis afirmar que esse fenômeno do país “parar” durante jogos da copa só ocorre no Brasil, mas ja adianto que não é. Isso ocorre também em países da América do Sul e em países da Europa, como Inglaterra e Alemanha.
E mais, a maioria das grandes indústrias não param durante os jogos. A grande parcela da diminuição dos consumo certamente é devido ao fechamento dos comercios e outras empresas, pois indústria dificilmente param sua produção. Pelo menos na minha região, indústrias como a USIMINAS, Cenibra e ArcelorMittal nunca liberaram operários para assistirem jogos da copa, liberam somente os funcionários da parte administrativa. Ou seja, as máquinas continuam funcionando. E nunca houve caso de operário pedindo demissão por não poder assistir aos jogos. Complemento que afirmar que funcionários pediriam demissão caso seus patrões não os liberassem é desconhecer profundamente a atual situação do país.
Caros leitores e amigos,
agradeço a todos os comentários até agora, e o Henrique levantou algumas questões interesantes eu seu comentário. Com certeza existem algumas provocações no meu artigo.
Mas quando me refiro a indústria não falo somente da indústria pesada, como alguns exemplos de siderurgicas. Existem inúmeros tipos de indústria: a bancária, a de tecidos e calçados, o comércio.
E deixar de ganhar e perder economicamente falando tem o mesmo sentido, pois a indústria da energia, como qualquer outra trabalha com o conceito de custo de oportunidade.
E o Professor Douglas levantou uma questão interessante, muitas vezes ficamos preocupados se a carga no sistema aumentar demais e desligar o mesmo. Mas esse fenômeno é o inverso é uma saída de carga que tem que ser muito bem pensada pelos operadores.
Fiquem a vontade para criticar e debater.
Abraço a todos.
“E deixar de ganhar e perder economicamente falando tem o mesmo sentido, pois a indústria da energia, como qualquer outra trabalha com o conceito de custo de oportunidade.”
O Custo de Oportunidade representa o custo associado a uma determinada escolha medido em termos da melhor oportunidade perdida. Nesse caso não houve oportunidade perdida. Ela não vendeu energia porquê simplesmente ela não tinha pra quem vender. Não tinha demanda.
Ela simplesmente deixou de ganhar. O termo prejuízo nesse caso está aplicado incorretamente.
Interessante o artigo, heverton!
Essa ideia foi estilo freakonomics.
Mas o que me deixou intrigado foi o equilibrio do sistema. Essa carga tem que ir pra algum lugar. deve ser interessante saber como o ONS reequilibra o sistema com essa queda “inesperada” no sistema.
E essa curva de consumo pode ser usado pra outras coisas tb, como por exemplo, saber se o povo acompanha o horario politico, por exemplo. Se uma porcentagem boa da população desligar a tv nessa hora, deve dar diferença nas curvas dos anos sem horario politico, não acha? Muito mais sutil que o desligamento de industrias, com certeza, mas talvez tb seja perceptivel…
Heverton!
Muito boa a sua materia, trabalho no Centro de Operação do Sistema Elétrico na CPFL e assisti o jogo do Brasil contra a Costa do Marfim no COS e pude acompanhar esse fenomeno on-line. Através dos graficos demonstrados na sua materia é o que realmente acontece.
Parabéns.
Muito interessante o artigo. Já dava para imaginar esta baixa no consumo de energia nas pequenas, médias e inclusive, sim, grandes empresas e indústrias, por que não. Mas você teve a sacada de tirar os dados reais, do Operador Nacional. Mandou bem.
Quanto ao consumo do intervalo, talvez possam ser explicados com: geladeiras abertas, banhos rápidos, chopeiras trabalhando mais, outros aparelhos, como sons ambientes nos bares transmitindo os jogos e por que não, a luz do banheiro, que estava apagada durante o jogo.
Houve sim o custo de oportunidade pela falta de produção, mas a copa faz até aumentar o consumo no curto prazo, afinal a venda de TV’s e aparelhos de som só por causa da copa aumentou e com isto o consumo proveniente destes aparelhos vendidos.
Gostei do artigo, Heverton. Quero ver mais por aqui!
Um abraço e até a Pampulha!
Parabéns pela matéria. Muito interessante! Gostei muito!
abraço
Prejuízo ou não? Acredito que a copa é debate para muitas áreas. Qual o planejamento de uma empresa de fast food para a copa? Ela investiu em Marketing, treinamento para produzir e vender um novo produto e vinculou esses produtos a um evento. A saída do Brasil da copa praticamente desvinculou o interesse de uma parcela significativa da população com o evento. Até qual etapa o Brasil deveria atingir para essa empresa resgatar o capital investido. Vários outros segmentos como vestuário, automotivo, informática (televisores), etc também estavam torcendo pelo Brasil. O melhor para qualquer indústria é ter uma infra-estrutura fixa, e uma demanda também fixa. Porque as concessionárias beneficiam contratos de demanda, tarifas horosazonais? Imagina se a infra estrutura do setor energético não suportasse o pico de consumo no horário do jogo do Brasil, até o Presidente iria ter que comentar o assunto.
Achei muito pertinente o post, parabéns pela abordagem.
Muito interessante, também já tinha ouvido falar sobre isso mas muito superficialmente.
Caro Heverton,
Parabéns pela iniciativa, independentemente das críticas… Somente erra quem faz, e você fez!
Sugiro que você se concentre no que você é bom e siga adiante sem se importar com a “torcida”…
Achei brilhante a sua iniciativa de fomentar a curiosidade dos novos “eletricistas” à partir de questões do cotidiano…
Continue assim que está no caminho correto.
Boa sorte e mais uma vez, parabéns pela iniciativa.
Interessante matéria, exibe de forma clara as consequencias de eventos de massa na demanda de energia elétrica.