Medidas simples que ajudam a economizar energia elétrica, dinheiro e a saúde do planeta

Rio de janeiro – Aquecimento global, mudanças climáticas, excesso de lixo nas cidades, devastação de florestas… O que tudo isso tem a ver com cada um de nós, que estamos tranquilos assistindo à TV, falando ao celular ou acessando a internet? Ora, muita coisa. Preocupação ambiental já é dever de casa de todos e mudanças simples podem gerar grandes economias – de dinheiro e, principalmente, da saúde do planeta. Para tentarmos ser mais, digamos, ecologicamente corretos ao lidar com PCs, notebooks, estabilizadores, monitores etc, procuramos especialistas e separamos algumas dicas.

Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que o consumo de energia é apenas uma das inúmeras preocupações ecológicas. Segundo Daurio Speranzini, vice-presidente de Sustentabilidade da Philips para a América Latina, o consumidor precisa estar atento a todos os outros fatores que permeiam a fabricação de um produto, como o uso de substâncias tóxicas, descarte e reciclagem, peso, embalagem e vida útil. “O consumidor deve verificar se os fornecedores da empresa são certificados, se não usam trabalho infantil, quais seus projetos sociais, ou seja, como ele trabalha com a responsabilidade individual, econômica, social e ambiental. A consciência ambiental está evoluindo em casa e nas empresas ” , disse Daurio.

Para Vilmar Berna, vencedor do Prêmio Global 500 para o Meio Ambiente da ONU (Organização das Nações Unidas) e editor da revista “Meio Ambiente”, é preciso começar a agir logo, mesmo que através de pequenas ações, como desligar a luz quando não estiver usando, tirar os equipamento do modo stand by e não desligar a TV usando o controle remoto. “A consciência ambiental está evoluindo em casa e nas empresas. Toda vez que acontece uma desgraceira ambiental a consciência avança. Mas é triste avançar pela dor e pelo sofrimento, e não pelo amor ao planeta”, disse Vilmar.

Notebooks consomem menos energia que desktops

Entendido o conceito, é hora de partir para a prática. Diz Luis Sucupira, estudioso do impacto da tecnologia no meio ambiente, que notebooks consomem menos energia que desktops e, por isso, pensar na troca do equipamento pode ser um bom começo. Além disso, é bom ficar de olho no estabilizador: quando não estiver sendo usado, deve ser desligado e até mesmo desplugado da tomada.

As dicas de economia também valem para carregadores de celular e MP3 players. No caso dos celulares, muita gente tem o hábito de deixar os aparelhos carregando durante toda a noite, mas não há necessidade. No manual de instruções há dicas de quanto tempo cada aparelho gasta para ser realimentado. A redução na conta chega a ser significativa quando aliada a outros procedimentos. Dependendo do que se usa em casa, dá para economizar o valor de um notebook por ano. Quanto a desktops, use máquinas e chips que priorizam baixo consumo e reciclagem. Além disso, TVs de plasma consomem a mesma quantidade de energia das TVs de tubo. Já o LCD consome menos que os outros.

Lixo eletrônico é problema grave

O descarte de eletroeletrônicos é outra preocupação: deve-se tomar cuidado com o que se joga fora. Hoje, há 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico no planeta, composto de PCs, celulares, eletroeletrônicos, etc. O número representa 5% de todo o lixo gerado pela humanidade.

Só para se ter uma ideia do problema: um bebê que nasce hoje na Inglaterra terá gerado, quando chegar aos 77 anos, oito toneladas de lixo eletrônico, cinco toneladas a mais que o que hoje é gerado por britânicos da mesma classe social. O pior é que todo o lixo produzido por cidadãos do chamado Primeiro Mundo acaba em lixões e países do Terceiro Mundo como sucata ou ‘item de programas de inclusão digital’.

“Em alguns lugares ele é reciclado, em outros vira computador. Mas em outras partes ele vai contaminar solo, alimentos e água. Onde não há controle ele é queimado e a fumaça despejada na atmosfera, contribuindo para piorar o efeito estufa. Ele comenta, ainda, sobre os produtos que são esquecidos em assistências técnicas e oficinas. Essas empresas ficam com a posse do produto e o reformam para vender. Nada se sabe sobre o que fazem com a sucata. Outra parte despeja no lixo ou entrega a carroceiros. Boa parte do material vai para o lixo e metais pesados existentes acabam poluindo os mananciais de água”, disse Luis.

Lâmpadas fluorescentes economizam energia e dinheiro

Outra dica valiosa diz respeito às lâmpadas. Por mais que sejam conhecidos os benefícios da lâmpada fluorescente – economia de energia e dinheiro – ainda há muita gente que prefere usar as lâmpadas comuns. A boa notícia é que, hoje, lâmpadas comuns representam só 20% das vendas. “As fluorescentes, para serem econômicas, devem ter o certificado do Inmetro, caso contrário você pode pagar por produtos não certificados que consomem a mesma coisa da lâmpada comum”, disse Luis.

Outro vilão que não tem a ver com o mundo digital, mas vá lá – é o chuveiro elétrico: “Quem não está usando chuveiro elétrico deve desconectá-lo da tomada”, disse Luis. Quanto aos celulares, baterias, carregadores e outros itens, eles devem ser retornados aos fabricantes, nunca guardados ou jogados na natureza. “No meio ambiente, as baterias, assim como as pilhas, poluem o solo e as águas com metais pesados. Na reciclagem, o ácido é transformado em um líquido inofensivo, e o chumbo, a prata e o mercúrio”, disse Luis.

Fabricantes tem projetos de coleta de baterias

Empresas de celulares que tem se empenhado na busca de soluções para o descarte de aparelhos alcançaram a marca de 500 mil celulares reciclados na América Latina. O número é complementado por 40 toneladas de baterias e 150 mil acessórios. Até 85% de um celular é reciclável. Outra preocupação é com o tamanho e espessura das embalagens dos aparelhos. Em alguns modelos, a redução chega a 60%.

Carregadores também acompanham a onda verde. Novos modelos de celulares estão sendo produzidos acompanhados de carregadores com alarmes integrados, que avisam quando a bateria do dispositivo estiver carregada. Com isso, energia desnecessária deixa de ser consumida. Segundo a Nokia, só com o ato de desconectar os equipamentos ao ouvir o alarme, o usuário estaria contribuindo para uma economia de energia suficiente para abastecer cem mil casas de tamanho médio.

Fonte: O Globo – 06.04.2009

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Quem escreve

Erwin, Engenheiro Eletricista pela Universidade Federal de Viçosa