Potencial brasileiro para smart grids atrai empresa americana

O tamanho do mercado brasileiro de energia elétrica é um prato cheio para as empresas que atuam com tecnologias de smart grid (redes inteligentes). Com cerca de 65 milhões de medidores analógicos instalados, o País promete ser um bom destino para multinacionais, como a americana Silver Spring Networks (SSN), que atua no fornecimento de plataformas inteligentes de energia para distribuidoras.

Nesta semana, a companhia inaugurou um escritório em São Paulo. “Queremos ter um relacionamento direto com nossos clientes”, disse à reportagem do Jornal da Energia o gerente-geral de novos negócios globais da SSN, Carlos Ramon (foto). Segundo o executivo, que prefere não revelar nomes, algumas negociações com concessionárias brasileiras estão em andamento.

De acordo com Ramon, a tecnologia desenvolvida pela empresa consiste em um hardware que é acoplado ao medidor eletrônico e que permite à distribuidora controlar e gerenciar a rede elétrica, enquanto que o consumidor ganha a possibilidade de controlar o consumo. Nos Estados Unidos, a empresa já trabalha com concessionárias que atendem a 20% de todos os consumidores do país. Dentre os clientes da empresa, está a Pacific gas and Electric Company que integrou seis milhões de medidores à plataforma.

No Brasil, a Silver Spring vai trabalhar em parceria com a Nansen, fabricante de medidores. Ramon explica que o acordo consiste em uma colaboração entre as duas empresas e que tem como objetivo oferecer aos clientes uma solução integrada que agregue valor aos produtos.

Para Carlos Ramon, o Brasil vive um período de aprendizagem no que diz respeito à implantação de tecnologias que deixem a rede elétrica mais inteligente. “Estamos fazendo um trabalho de evangelização. O mercado brasileiro está em uma etapa de edução e de provas iniciais”, afirma. De acordo com ele, nos EUA esse processo levou cerca de dois anos. “Em 2008, nada se falava sobre smart grid nos Estados Unidos. Hoje, uma concessionária que não está fazendo nada nesse sentido está ficando para trás. O mesmo estamos vendo na Austrália e na Inglaterra”, conta.

A empresa estima que é possível reduzir o consumo de energia em 15% com a implantação das plataformas inteligentes de energia. Além disso, é possível reduzir o custo operacional das distribuidoras, melhorar o serviço ao cliente e otimizar aspectos ambientais, evitando a construção de novas usinas.

Fábrica
Os hardwares que são utilizados pela companhia nos medidores eletrônicos são fabricados em uma unidade localizada nos Estados Unidos. Contudo, Ramon assegura que a empresa trabalha com a possibilidade de trazer uma planta fabril para o Brasil. “Nosso compromisso no Brasil é a longo prazo. A produção desses componentes dentro do mercado brasileiro traria mais dinâmica ao nosso negócios”, diz.

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Quem escreve

Erwin, Engenheiro Eletricista pela Universidade Federal de Viçosa